Se antigamente o brasileiro sentia uma certa desconfiança em comprar pela internet, o cenário hoje em dia não é mais o mesmo. Os hábitos de consumo da população mudaram e agora muitos preferem comprar os mais variados produtos no conforto de seu lar com alguns poucos cliques e não mais em sua tradicional ida às lojas ou ao shopping centers.

De acordo com uma recente pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), no último ano, seis em cada dez internautas realizaram a compra de algum produto de forma online, e as compras englobam os mais diferentes segmentos: roupas, sapatos, maquiagem, comida e até remédios são as mercadorias que os consumidores desejam receber nas portas de suas casas. Por exemplo, segundo a Compre&Confie, empresa que analisa fraudes no comércio online, a área da saúde obteve um aumento de 35% no faturamento no primeiro trimestre de 2019, tendo inclusive um crescimento maior que o do mercado em geral, que ficou na casa dos 16%.

O fato de não ter mais que realizar uma verdadeira peregrinação pela cidade atrás de uma loja que venda o produto tão desejado é o que tem atraído uma grande fatia de consumidores para essa nova forma de consumo. Segundo a pesquisa, grande parte dos entrevistados citou a facilidade de acesso aos produtos como principal fator para comprar online, seguido da praticidade e rapidez, preços mais baratos e a possibilidade de organizar as compras de acordo com interesses e gostos pessoais.

As 'vitrines virtuais' são um atrativo crescente para clientes
As redes sociais, que surgiram como uma forma de conectar amigos e outras pessoas, desempenham hoje um novo papel e viraram verdadeiras lojas e os perfis cuidadosamente arrumados são as vitrines e com a vantagem de ‘dar só uma olhadinha’ sem ser incomodado, essas plataformas estão atraindo mais consumidores.

Até mesmo o Whatsapp, que surgiu como uma alternativa ao finado SMS e é hoje o aplicativo com o maior número de usuários no país, está sendo utilizado como uma forma de adquirir mercadorias. Segundo a pesquisa do SPC, duas em cada dez pessoas já realizaram alguma compra pela plataforma. O que motiva a compra pelo aplicativo é a rapidez, a possibilidade de receber imagens e vídeos do produto e também o fato de ter acesso rápido ao histórico de conversas.

A maquiadora Daniela Passos, de 25 anos, compra frequentemente vários produtos pela internet, desde itens de beleza pessoal a produtos de casamento e, para ela, a maior vantagem é não ter que sair de casa para comprar e receber seus produtos. “Eu compro mais pela praticidade. Na verdade, já faz muito tempo que eu não compro alguma coisa em loja física”, disse ela.

Mas, com as novas formas de comprar, também surgem novos métodos de fraude e golpes para roubar os consumidores desavisados ou aqueles que, mesmo tomando todas as precauções possíveis, ainda caem nos golpes que hoje estão cada vez mais disfarçados. Para evitar problemas e eventuais estresses, Daniela tem alguns requisitos para comprar seus produtos pela internet. “Eu não compro com qualquer pessoa pela internet. Se eu gostar de uma coisa e for de alguém que eu confie, eu compro”, finalizou a maquiadora.

Já 'X', que preferiu não se identificar por medo de represálias, não teve a mesma sorte. Uma pessoa se aproveitou do momento de desespero dele e de sua família, após ter um carro roubado. Ele e a irmã publicaram em grupos de whatsapp da cidade que o carro dela tinha sido roubado e, após ver o comunicado, uma pessoa entrou em contato dizendo que havia encontrado a chave do veículo e devolveria mediante o pagamento de R$ 200 e, após o pagamento ter sido efetuado Simon foi ao encontro da pessoa, que não apareceu no local. Ele foi à delegacia com o print da conta bancária de quem o enganou e fez uma denúncia.

Precauções devem ser adotadas
Mesmo tomando todas as precauções necessárias, alguns podem, sem perceber, cair em uma 'cilada'. Já que o comércio online é algo relativamente novo, muitos ainda não sabem quais providências devem tomar ou a quem deve acionar em casos de crime via aplicativos, mas especialistas asseguram que o caminho não é tão difícil.

A primeira parte é a prevenção e, segundo a Doutora e advogada criminalista Fernanda Freixinho, os consumidores precisam tomar alguns cuidados, como manter os sistema operacional do celular sempre atualizado para corrigir as falhas de segurança e só utilizar aplicativos baixados diretamente das lojas oficiais. Outra dica é evitar o uso de Wi-fi público, pois são facilmente utilizados por hackers para roubar dados. Por whatsapp, também é recomendado que o aplicativo seja utilizado apenas para esclarecimento de dúvidas e negociações acerca do produto, mas dados pessoais e do cartão de crédito não devem ser fornecidos e os pagamentos devem ser realizados por sistemas de transferência eletrônica.

Se mesmo assim, a pessoa perceber que caiu em um golpe, ela deve acionar o PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) e fazer o registro de ocorrência em qualquer delegacia ou no site da Polícia Civil. Dependendo do caso, o cliente pode registrar a ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), especializada em crimes virtuais, ou na Decon, especializada em crimes contra o consumidor.

“Nas compras via WhatsApp, além das impressões das telas referentes às negociações, o consumidor deverá fornecer, também, os dados do contato responsável pela fraude e/ou golpe. Quanto ao amparo legal, ainda não há legislação específica para os crimes via aplicativo. Enquanto isso, as questões virtuais envolvendo os consumidores seguem sendo regidas por leis como o Código de Defesa do Consumidor, o Código Penal e a Lei do E-commerce (Decreto n. 7.962/2013), que dispõe sobre a contratação no comércio eletrônico.” finalizou Freixinho.

fonte: O São Gonçalo

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