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Acesso das mulheres à Internet ainda é baixo, aponta pesquisa da ISOC

14/11/2018 Voltar
Imagem retirada de http://idgnow.com.br/internet/2018/11/13/acesso-das-mulheres-a-internet-ainda-e-baixo-aponta-pesquisa-da-isoc/

Na corrida para o desenvolvimento digital, muitas mulheres têm ficado para trás. Globalmente, elas são 12% menos propensas a usar a Internet do que os homens, segundo pesquisa feita pela Internet Society (ISOC), organização internacional sem fins lucrativos, junto à Associação de Comunicação Progressiva. Esse hiato de gênero digital é menor nos países desenvolvidos (3%) e mais alto nos menos desenvolvidos, onde a probabilidade é 33% menor de as mulheres usarem a Internet quando comparadas aos homens. Embora a diferença de gênero tenha diminuído na maioria das regiões, ela aumentou na África, onde o uso da Internet pelas mulheres é 25% menor do que o dos homens. Na Índia, de acordo com pesquisas internas, este número chega a 57%.

Estes resultados indicam dois cenários: no primeiro, as mulheres simplesmente não têm acesso à Internet ou este é muito caro. Em outro, elas têm acesso, mas não a usam, avaliam Constance Bommelaer de Leusse, da Internet Society, e Dafne Plou, da Association for Progressive Communication.

O estudo coordenado pelas duas organizações evidencia o grande potencial para promover a inclusão digital das mulheres e a igualdade de gênero, um dos pilares do desenvolvimento sustentável. Esta ação também pode representar novos desafios para os direitos das mulheres e a segurança pessoal, tanto on quanto off-line.

Na visão de Constance e Dafne, isso aponta para questões mais profundas. "Em todas as regiões, as mulheres têm menos tempo de lazer do que os homens, uma vez que geralmente ainda são responsáveis pelo trabalho doméstico e pelos cuidados infantis. Muitas relatam sentir que o conteúdo da Internet não é relevante para suas vidas. Outras, por sua vez, temem invasões de privacidade online e a exposição a diversas formas de abuso. É por isso que precisamos de mais produção de conteúdos femininos e de espaços digitais seguros", ressaltam.

Além disso, vale lembrar que o acesso à Internet só é totalmente significativo quando as mulheres dispõem das habilidades ou capacidades para usá-lo de forma a melhorar suas vidas, ou as de suas famílias e comunidades. Como as economias estão se tornando mais digitais e interconectadas, a participação feminina em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática é crucial. Mas, infelizmente, não acontece com frequência, nem no ritmo necessário.

O levantamento ainda lembra que a Internet tem um grande potencial para promover a inclusão digital das mulheres e a igualdade de gênero – um dos pilares do desenvolvimento sustentável. O objetivo 5 da Agenda de 2030 da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável sobre a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas, inclui uma meta para aprimorar o uso de tecnologias capacitadoras, como as TICs e a Internet. As TICs são ainda identificadas no Objetivo 17 como uma tecnologia crítica para toda a Agenda.

"As pessoas responsáveis pela formulação de políticas em todo o mundo podem desempenhar um papel fundamental no aproveitamento do potencial positivo da Internet, criando uma estrutura propícia à inclusão digital das mulheres", reforça o estudo indicando que é preciso ações efetivas, tangíveis e mensuráveis ​​para fechar a lacuna digital de gênero no acesso à Internet.

Como endereçar a questão?
Constance e Dafne defendem que as desvantagens digitais espelham desigualdades estruturais, econômicas e culturais mais profundas. Assim, as políticas não podem ser apenas de natureza digital. As medidas para igualar o acesso devem estar baseadas em direitos humanos, incluindo os das mulheres de participar e contribuir para o desenvolvimento social, econômico e cultural.  

"Não existe uma única solução para todas as pessoas. Existem enormes variações nacionais tanto na igualdade de gênero quanto no desenvolvimento digital. As mudanças precisam ser culturalmente específicas para serem efetivas. Se quisermos superar a desigualdade digital e promover o desenvolvimento nesta esfera, governos, empresas e outras partes interessadas precisam prestar atenção a esses diferentes contextos ao desenvolver políticas, programas e planos de negócios", defendem.

As organizações sugerem que as medidas de desenvolvimento digital também devem ser integradas às políticas de combate à desigualdade de gênero.

Em agosto de 2018, o G20 comprometeu-se a “prestar especial atenção” à divisão digital de gênero e destacou nove recomendações a respeito, incluindo a necessidade de aumentar a conscientização sobre a exclusão digital; promover habilidades digitais e acesso para as mulheres; apoiar ​​o empreendedorismo digital das mulheres; incentivar uma maior cooperação entre os setores público e privado para fortalecer o interesse das meninas em estudos e carreiras de tecnologia; abordar a violência cibernética contra mulheres e meninas; usar ferramentas digitais que forneçam novas oportunidades para conectar as mulheres e coordenar novas iniciativas do G20 com organizações internacionais para capacitar meninas e mulheres digitalmente.

"Sem tais ações, as diferenças no acesso e uso da Internet aumentarão, ao invés de reduzir, a lacuna na informação e no poder entre mulheres e homens", alertam Constance e Dafne.

Fonte: IDGNow!